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Início do plantio no Brasil coincide com alta da soja em Chicago e abre janela ao produtor, diz analista

Foto: Pixabay A soja voltou a ganhar força na Bolsa de Chicago e atingiu os maiores níveis desde o fim…

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A soja voltou a ganhar força na Bolsa de Chicago e atingiu os maiores níveis desde o fim de 2023, em um movimento sustentado pela combinação de fatores de oferta, demanda e cenário internacional. Segundo Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, a valorização ocorre em um momento particularmente relevante para o produtor brasileiro, já que coincide com o início do plantio da nova safra no Brasil e com a aproximação da colheita nos Estados Unidos.

Para a especialista, a alta deve ser analisada a partir da convergência de diferentes fundamentos, entre eles as condições das lavouras americanas, a retomada da demanda chinesa e a força do mercado de biocombustíveis.

Entre os principais elementos estão as condições das lavouras norte-americanas, que vêm apresentando deterioração no fim do ciclo. O clima no Meio-Oeste continua no radar dos investidores, especialmente diante das dúvidas sobre a produtividade em alguns estados. Yedda destaca que o recente Crop Tour do Pro Farmer trouxe reduções nas estimativas de produção e produtividade para diversas regiões, aumentando a expectativa em torno do próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

“O relatório do USDA será um momento crucial para entendermos qual é, de fato, o número real da safra americana”, afirma. Para a analista, embora a produção de soja dos Estados Unidos não deva ser considerada ruim, os problemas localizados podem trazer ajustes nas estimativas e aumentar a volatilidade do mercado.

Do lado da demanda, o retorno das compras chinesas de soja norte-americana também trouxe sustentação às cotações. A China vem realizando novos leilões e sinalizando maior interesse pelo produto dos Estados Unidos justamente durante a entrada da safra americana. Para Yedda, o movimento representa um sinal positivo para o mercado, especialmente diante da perspectiva de novos entendimentos comerciais entre os dois países.

“A demanda chinesa continua sendo um ponto bastante positivo para o mercado, especialmente com a retomada das compras de soja americana neste momento de entrada da nova safra”, avalia. A retomada das compras reduz parte das preocupações em relação à demanda e contribui para dar suporte às cotações.

Outro componente importante é o cenário geopolítico, que influencia o comportamento das commodities agrícolas e, no caso da soja, tem reflexos principalmente por meio do mercado de energia e dos biocombustíveis. As tensões no Oriente Médio afetam o petróleo, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia possui impactos mais diretos sobre trigo e milho, importantes players globais desses mercados.

Na soja, a transmissão ocorre especialmente pelo óleo de soja e pela perspectiva de aumento da demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos. “Temos uma sinalização positiva dos Estados Unidos para a demanda por biocombustíveis, o que já vem contribuindo para um mercado de esmagamento mais aquecido e acaba dando suporte ao complexo da soja”, explica Yedda.

Para o produtor brasileiro, o atual ambiente pode representar uma oportunidade para avançar na comercialização dos volumes ainda expostos às oscilações do mercado. A formação do preço, no entanto, não depende apenas de Chicago, mas câmbio e prêmios de exportação também serão determinantes para definir quanto da valorização internacional chegará ao produtor em reais. Nesse contexto, uma estratégia de fixações parciais pode permitir o aproveitamento dos patamares atuais sem eliminar completamente a exposição a uma eventual continuidade da alta.

O cenário para a safra 2026/27, porém, ainda exige cautela. O comportamento do clima nos Estados Unidos, a evolução da demanda chinesa, o ritmo do plantio brasileiro e a possível influência do El Niño estarão entre os principais fatores a serem monitorados. “Ainda existe uma preocupação em relação ao comportamento das chuvas ao longo de todo o ciclo da soja no Brasil. Os mapas podem indicar um início favorável, mas será importante acompanhar como esse cenário vai evoluir durante a safra”, afirma Yedda.

Para a analista, uma nova deterioração das condições das lavouras americanas, a continuidade das compras chinesas e uma demanda aquecida por biocombustíveis podem dar espaço para novas altas. Em sentido contrário, uma oferta maior do que a esperada, perda de ritmo da demanda ou movimentos desfavoráveis de câmbio e prêmios podem limitar a valorização.

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Sobre o que trata “Início do plantio no Brasil coincide com alta da soja…”?
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Larissa Monteiro

Larissa Monteiro

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