ECONOMIA

Impulso do mercado global de IA mostra sinais crescentes de vulnerabilidade, afirma BIS

A alta impulsionada pela inteligência artificial (IA), que fez as bolsas de valores mundiais dispararem nos últimos dois anos, está…

A alta impulsionada pela inteligência artificial (IA), que fez as bolsas de valores mundiais dispararem nos últimos dois anos, está apresentando sinais crescentes de vulnerabilidade, afirmou nesta segunda-feira (14) o Banco de Compensações Internacionais (BIS), a instituição que coordena os bancos centrais globais. Em um novo relatório, o BIS informou que os investidores estão se tornando “cada vez mais cautelosos” quanto à lucratividade de futuros investimentos em IA, especialmente à medida que a alavancagem das grandes empresas de tecnologia dos EUA continua a aumentar. “O impulso da IA, que impulsionou os mercados de ações e contribuiu para a resiliência da economia global no ano passado, começou a mostrar sinais crescentes de vulnerabilidade”, disse a repórteres Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS. Os comentários foram feitos na sexta-feira (11), antes da publicação do relatório do BIS nesta segunda-feira. As ações ligadas à IA registraram forte queda nesta segunda-feira, depois que líderes de várias das principais empresas do setor alertaram, durante o fim de semana, que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia precisava ser desacelerado para evitar ameaças à humanidade. O relatório do BIS também apontou para um cenário global incerto, marcado por pressões nas finanças públicas, exacerbadas por tensões geopolíticas e pela volatilidade dos preços de energia. As dívidas de centenas de bilhões de dólares emitidas por empresas de IA também podem estar contribuindo para o aumento dos custos de captação no mercado de títulos públicos — conhecidos como “yields” (rendimentos) —, somando-se às preocupações de longa data sobre a sustentabilidade dos níveis de endividamento. “Isso está relacionado à fragilidade fiscal que também acompanha a maior incerteza na economia mundial”, disse Smets, referindo-se às pressões recentes nos mercados de títulos. No entanto, ele acrescentou que não havia “sinais de estresse” generalizado e que o apetite ao risco dos investidores permaneceu “notavelmente resiliente” nos últimos meses. Conhecido como o “banco central dos bancos centrais”, o BIS tem emitido alertas frequentes nos últimos anos tanto sobre os níveis globais de dívida quanto sobre possíveis bolhas no mercado de ações. “No entanto, permanece incerto se essa resiliência (nos mercados) poderá ser sustentada, especialmente se as pressões de alta sobre os rendimentos continuarem”, disse Smets. Ele também reiterou o alerta feito na semana passada por Pablo Hernandez de Cos, chefe do BIS, sobre os riscos à estabilidade financeira decorrentes da IA. “O que mais nos preocupa nessa área (de IA) é o rápido aumento do endividamento e da alavancagem”, disse Smets. “E o fato de que muitas dessas operações de financiamento são bastante opacas. Frequentemente, não constam nos balanços patrimoniais. Elas apresentam uma espécie de circularidade.” O relatório também analisou a fundo o financiamento proveniente do mercado privado que tem sido direcionado para a IA nos últimos anos. O volume total de empréstimos tomados por empresas de tecnologia saltou de cerca de US$ 22 bilhões — ou 22% do crédito privado total — em 2010 para mais de US$ 1 trilhão (44%) em 2025. No total, o saldo de empréstimos de qualquer natureza soma quase US$ 2,5 trilhões, acrescentou o documento. Outro estudo utilizou IA para analisar milhares de discursos e relatórios de bancos centrais. A análise revelou que as métricas de inflação subjacente (ou núcleo, que excluem itens voláteis, como alimentos e energia) estão sendo citadas com maior frequência e variedade. Embora essa tendência reflita a mudança nas condições econômicas, o relatório apontou que “a crescente complexidade das mensagens dos bancos centrais pode criar desafios para uma comunicação eficaz com o público”.

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Larissa Monteiro

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