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Farsul encaminha ofício à ANP com relatos de falta de diesel em regiões gaúchas

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aprensentou nesta terça-feira…

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aprensentou nesta terça-feira (29) um ofício ao superintendente de Distribuição e Logística da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Diogo Valério, sobre reclamações de produtores sobre a falta de óleo diesel e preços elevados do combustível no estado.

Conforme o material divulgado pela entidade, há limites de volume, ausência de garantia de entrega e fornecimento irregular pelos Transportador-Revendedor-Retalhista (TRRs), problema ainda maior em relação ao S500.

O ofício da Farsul detalha o problema com base em reportes obtidos nas seguintes regiões:

  • Santa Bárbara: diesel S10 cotado a R$ 7,30/litro na bomba. Não há disponibilidade de S500 para entrega nas propriedades rurais.
  • Cruz Alta: os TRRs limitam os pedidos e não garantem entrega no curto prazo.
    Nos postos, o S500 está cotado, em média, a R$ 6,89/litro e o S10 a R$ 7,10/litro,
    apenas para abastecimento dos veículos na bomba.
  • Glorinha e Gravataí: há disponibilidade nos postos consultados. Para compradores sem cadastro, o volume é limitado a 1.000 litros; mediante cadastro, podem ser autorizadas quantidades superiores.
  • Caçapava do Sul: o TRR Fita Azul recebeu 10 mil litros de S500 para entrega
    imediata, ao preço de R$ 7,50/litro, com limite de 3 mil litros por produtor.
  • Pelotas: no TRR Coqueiro, o S500 está indisponível. O S10 foi cotado a R$
    7,29/litro, com prazo de pagamento de dez dias.
  • Rosário do Sul: foram informadas cotações de R$ 6,89/litro para o S500 e de
    R$ 7,09/litro para o S10.
  • Restinga Seca: o fornecedor Fuzzer indicou a possibilidade de atender apenas metade do pedido de S10, enquanto o S500 permanece indisponível. Os demais fornecedores consultados não apresentaram previsão de entrega; preço e disponibilidade serão definidos no momento da compra, com pagamento à vista.
  • Pedras Altas: não há diesel disponível para carregamento. O S500 não é fornecido há tempo e o S10 aparece de forma esporádica, atualmente a R$ 7,55/litro. Também foi relatada elevação de R$ 6,02 para R$ 7,40/litro em uma semana, com compradores em fila. A implantação de lavouras de arroz está paralisada por falta de combustível.
  • Dom Pedrito: o fornecedor Quero Diesel opera com algumas restrições de volume, mas sem maiores problemas de atendimento. Em 29 de setembro, os preços eram de R$ 7,19/litro para o S10 e de R$ 6,89/litro para o S500.
  • Espumoso: o TRR Ipiranga está sem combustível e sem cotação atual. O último preço praticado para o S500, na última entrega realizada, foi de R$ 6,49/litro.
  • Lavras do Sul: há oferta de S10 a R$ 7,70/litro, enquanto o S500 está indisponível.
  • Região Noroeste: o S500 está cotado, em média, a R$ 6,99/litro, com limite de 150 litros por abastecimento na bomba. O S10, com maior oferta, custa em torno de R$ 7,10/litro. Nos TRRs, o fornecimento é irregular, escasso e com reduzida margem de negociação.

De acordo com a Farsul, esse conjunto das informações evidencia um mercado desuniforme, visto que em algumas localidades há produto apenas na bomba e em pequenos volumes, enquanto em outras não existe previsão de entrega pelos TRRs ou o atendimento alcança somente parte dos pedidos.

“A indisponibilidade do S500 continua sendo o problema mais recorrente. A situação é especialmente grave para o setor agropecuário gaúcho, que depende do óleo diesel para o preparo do solo, a implantação das lavouras, o funcionamento de máquinas e o transporte de insumos e da produção”, destaca o ofício.

Segundo a entidade, o relato de atividades paralisadas em Pedras Altas demonstra que a restrição já afeta diretamente o calendário produtivo.

Diante desse cenário, a Farsul solicita à ANP a verificação imediata das condições de abastecimento de óleo diesel no Rio Grande do Sul, especialmente quanto à disponibilidade do S500, aos volumes destinados aos TRRs e postos revendedores e às razões das restrições, limites e diferenças de preços observados nas diversas regiões do estado.

Por fim, a Farsul solicita a manifestação da ANP sobre a situação atual dos estoques, da produção e da distribuição, bem como sobre a previsão de normalização do abastecimento e as providências de fiscalização que serão adotadas diante dos relatos apresentados.

Ministro diz não haver escassez

Na terça-feira da semana passada (22), o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que não há indicativos concretos de uma possível falta de óleo diesel no país.

“Isso [a falta de diesel] ainda está no campo da especulação, não há nenhum indicativo de que isso possa acontecer”, disse. Segundo ele, o governo acompanha os riscos de uma alta mais acentuada dos preços do combustível em decorrência dos conflitos internacionais.

“Quero lhe garantir que não há nenhuma expectativa, neste momento, que se funde em algo concreto em relação a um possível desabastecimento de diesel”, acrescentou, em fala à imprensa.

Questionado especificamente sobre a situação gaúcha, de Paula afirmou ter conversado com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que o tranquilizou sobre a situação do abastecimento.

“Se isso aconteceu [problema de escassez de diesel], é possível que tenha sido uma questão local, que obviamente será olhada com muito carinho”, afirmou. O ministro reforçou que questões relacionadas diretamente ao abastecimento de combustíveis são acompanhadas pela ANP e pelo Ministério de Minas e Energia.

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Larissa Monteiro

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