INTERNACIONAL
A empresários, Lula defende responsabilidade fiscal, estabilidade e soberania
A nove dias das eleições, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta sexta-feira…

A nove dias das eleições, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta sexta-feira (25) um discurso a empresários marcado pela defesa da responsabilidade fiscal, da estabilidade e da soberania nacional. Ao falar para uma plateia de mais de 740 empresários, economistas, profissionais liberais e políticos reunidos em um hotel em São Paulo, Lula destacou sua experiência política para unir o país e defender a democracia. O presidente criticou a tentativa de interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina e atacou também o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Vorcaro era malandro. O que não conseguiu corromper com dinheiro, corrompeu com orgia”, disse. Leia também: A empresários, Alckmin diz que Lula é o único capaz de unir os Poderes Foco é falar a quem investe no Brasil para continuar a investir, diz Haddad Redução de juro será legado de Lula, diz Durigan Em um discurso de cerca de 40 minutos, Lula disse, por duas vezes seguidas, que “estabilidade fiscal é obrigação”. “Quanto mais as contas estiverem desajustadas, quem mais paga é o povo pobre. Estabilidade fiscal é obrigação nossa”, reiterou. O presidente, no entanto, ressaltou a necessidade de investimentos do governo na área social. “Se não tem responsabilidade social junto com a fiscal, a gente não resolve os problemas do país”, disse. “Sonho em transformar esse país em um país de classe média. Não me contento em salário de R$ 2 mil, R$ 3 mil. Precisa ganhar mais. Quanto mais transformar a sociedade de consumo, mais as empresas vão produzir”, afirmou durante o jantar. Dos mais de 700 presentes, 686 são empresários. O presidente disse que há uma pressão e cobrança de empresários pela redução da taxa de juros, mas disse que o Banco Central é independente e que não tem ingerência. “Vocês cobram pela redução da taxa de juros, mas vocês brigaram pelo Banco Central independente.” Em outro momento do discurso, defendeu a reforma tributária e rebateu as críticas por mudanças. Segundo Lula, é preciso primeiro “experimentar” a reforma tributária aprovada no seu governo. Sem citar o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula disse que o adversário não tem condição de governar o país. “Qual é a dúvida?”, questionou Lula. “A história proporcionou para vocês o que está na mesa. Não pode blefar. Aqui não é um jogo de truco que fala ‘eu vou blefar’. Se apostar errado vai quebrar a cara. Vocês sabem disso.” O presidente defendeu estabilidade política e disse que para isso é preciso ter “biografia, história e partido político” para conseguir governar. Em meio a uma grave crise no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula defendeu também estabilidade jurídica e criticou as negociações de Daniel Vorcaro com magistrados. “Nunca imaginei viver para ver essa podridão”, disse. A representantes de grandes empresas e bancos do país, Lula disse que a democracia e a soberania nacional estão em jogo nestas eleições. “O que está em jogo neste instante não é um candidato contra outro candidato. Pode ter alguém que não goste de mim. Não quero casar com vocês, só quero voto. A melhor dupla está aqui. Do outro lado está um mequetrefe que não vale muita coisa”, disse. “O que está em jogo é se quer fortalecer o regime democrático ou a barbárie. Vai fortalecer o regime democrático ou construir nova barbárie.” Ao criticar indiretamente Flávio Bolsonaro, Lula disse que seu adversário, se for eleito, vai entregar as riquezas minerais do país aos Estados Unidos. “Ou vota em alguém que é brasileiro ou alguém vai beijar todo dia a bandeira americana”, disse. “A depender de quem for eleito, vai entregar tudo”, afirmou, em referência às terras raras. O presidente disse defender a exploração de minerais críticos e terras raras, desde que o Estado brasileiro tenha o controle sobre isso. “Ou vamos virar um mero exportador outra vez.” Em outros momentos do discurso, afirmou que a soberania nacional corre risco com Flávio Bolsonaro e criticou o tarifaço imposto por Donald Trump a produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. O presidente disse que o governo poderá aplicar a lei da reciprocidade contra os EUA. “Vou ficar chorando pelos Estados Unidos? Ele tem que tomar cuidado porque podemos usar a lei da reciprocidade”, disse. No entanto, ressaltou que prefere o caminho diplomático, da negociação. “Vocês sabem o que pode acontecer neste país. Trump faz aposta de que vai ser dono da América Latina”, afirmou Lula. “Enquanto eu for presidente, o dono do Brasil se chama povo brasileiro. Isso vale para os empresários brasileiros, porque país que se preza precisa ter indústria muito forte”, disse. Ao pedir voto aos empresários, disse que se reeleito o país vai voltar a crescer. O presidente voltou a criticar as emendas parlamentares e disse que o Congresso “não pode tomar 50% do orçamento da União”. “Não é possível, não é justo.” Homenagem a FHC Durante o jantar, Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin prestaram homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A filha do ex-presidente tucano estava na plateia. Alckmin elogiou o tucano e Lula disse ter saudade de quando a disputa eleitoral era contra “Fernando Henrique, José Serra, Geraldo Alckmin”, seus adversários no passado. “Era tempo da democracia. Agora estamos vendo a hora do argumento desaparecer. Agora é o acirramento”, afirmou o presidente. Entre os presentes estavam Milton Maluhy (Itaú), Rubens Ometto (Cosan), Joesley Batista (J&F), Gustavo Pimenta (Vale), Alexandre Nogueira (Light), Carlos Sanchez (EMS), Lirio Parisotto (Innova), Antonio Scala (Enel), Marcos Almeida (Brookfield), além de advogados, economistas e médicos. O governo federal estava em peso. Entre os representantes da gestão estavam os ministros Dario Durigan (Fazenda), Esther Dweck (Gestão), Bruno Moretti (Planejamento), Miriam Belchior (Casa Civil), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento), Alexandre Padilha (Saúde), Leonardo Barchini (Educação), Wellington Lima e Silva (Justiça), Sidônio Palmeira (Comunicação) e Paulo Pereira (Empreendedorismo); e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Os presidentes de bancos públicos também participaram – o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes; a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Estava ainda o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy Candidatos em São Paulo, os ex-ministros Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) também participaram. Haddad concorre ao governo paulista e Marina e Simone disputam o Senado por São Paulo. Lula chegou ao evento por volta das 20h35. Pouco antes, anunciou a proibição de bets, em um evento na capital paulista próximo do local do jantar. Foi o segundo jantar de Lula com empresários e banqueiros em menos de um mês. O anterior ocorreu em 31 de agosto, no Palácio da Alvorada, em Brasília, e teve formato mais restrito, com 16 representantes do setor privado, além de integrantes do governo.
Perguntas frequentes
Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.
- Sobre o que trata “A empresários, Lula defende responsabilidade fiscal, estabilidade e soberania”?
- A nove dias das eleições, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta sexta-feira (25) um discurso a empresários marcado pela defesa da responsabilidade fiscal, da estabilidade e da soberania…
- Por que Internacional importa agora?
- O tema impacta decisões e debates cotidianos ligados a Internacional. A redação destaca fatos, datas e implicações práticas sem substituir orientação profissional personalizada.
- Quem edita o conteúdo do Estrato ESG?
- A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato ESG, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://esg.estrato.cc/equipe/.
- Quais fontes o Estrato prioriza?
- Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
- Como solicitar correção de uma matéria?
- Envie o pedido pela página de Correções (https://esg.estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://esg.estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
- O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
- Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
- Onde acompanhar a política editorial do Estrato ESG?
- Metodologia, ética e transparência estão em https://esg.estrato.cc/metodologia/, https://esg.estrato.cc/etica-editorial/ e https://esg.estrato.cc/politica-editorial/.
- Como o Estrato trata temas sensíveis (YMYL)?
- Temas que afetam dinheiro, saúde e bem-estar recebem revisão editorial reforçada, disclaimer visível e links para páginas institucionais de metodologia e correções. Portal: https://esg.estrato.cc/