CLIMA & AMBIENTE · CRISE CLIMÁTICA

Projetos que unem cultura e clima podem receber R$10 mil

Uma biblioteca construída dentro de uma aldeia na floresta amazônica, em Rondônia; uma associação quilombola que fortalece identidade e geração…

Uma biblioteca construída dentro de uma aldeia na floresta amazônica, em Rondônia; uma associação quilombola que fortalece identidade e geração de renda, no Rio Grande do Norte; uma rota de turismo sustentável liderada por mulheres indígenas, na Paraíba; e um projeto social em uma das maiores favelas do Rio de Janeiro têm algo em comum: todos utilizam a cultura como ferramenta de transformação dos territórios e construção de respostas aos desafios socioambientais. É para reconhecer e dar visibilidade a histórias como essas que o Prêmio Espalha 2026 abre inscrições para sua segunda edição, até 17 de julho.

Criado pelo C de Cultura, em parceria com a Outra Onda Conteúdo, o prêmio nasceu em 2025 com o objetivo de mapear, reconhecer e dar visibilidade a iniciativas que utilizam a cultura como ferramenta de transformação socioambiental em diferentes territórios brasileiros. Na edição deste ano, serão escolhidas cinco iniciativas nas categorias: Povos Indígenas, Comunidades Quilombolas, Periferias, Mestres e Mestras e Votação Popular. A seleção será realizada por um júri formado por lideranças culturais, pesquisadores, artistas e ativistas com atuação nas áreas de cultura e clima.

Cada participante pode se inscrever em uma categoria, escolhendo a que melhor represente seu território, identidade ou campo de atuação. As iniciativas vencedoras receberão um apoio de R$10 mil, além de integrar a Coletânea Espalha e participar de ações de comunicação e visibilidade nacional promovidas pela plataforma. O resultado será divulgado em agosto.

A Coletânea Espalha também é parte fundamental do projeto, reunindo uma rede de iniciativas que mobilizem arte, ancestralidade, cultura, cuidado ambiental, economia criativa, comunicação popular, espiritualidade, agricultura e muito mais. As iniciativas podem envolver desde espetáculos teatrais que abordam a relação com a floresta até oficinas de moda sustentável, exposições sobre memória e ancestralidade, rádios comunitárias, ações de agroecologia, encontros de cura e espiritualidade, formações populares, intervenções urbanas e ações de defesa territorial.

Juliano Silva do Nascimento e Danaria Messias dos Santos separando sementes. Foto: Bianca Tozato | ISA

Assim, é necessário que a iniciativa tenha caráter cultural e dialogue com questões ambientais, climáticas ou territoriais; pode ser conduzida por coletivos, artistas, grupos locais, mestres e mestras, instituições, entre outros; são bem-vindas iniciativas formais e informais de diferentes regiões e biomas; e as atuações podem ser contínuas ou pontuais, desde que demonstrem impacto positivo e conexão com o território.

Mais do que um prêmio, o Espalha funciona como uma plataforma de articulação, troca e fortalecimento de redes que já constroem respostas locais para os desafios climáticos em diferentes regiões do Brasil. “Ao reconhecer essas experiências, buscamos contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias de cuidado com os territórios, valorizando modos de vida, memórias e práticas culturais que resistem, se reinventam e apontam caminhos para futuros mais sustentáveis”, explica Augusto Conte, coordenador de Mobilização do C de Cultura.

Como a cultura pode ajudar a enfrentar a crise climática?

A resposta começou a ser construída em 2024, quando o C de Cultura e a Outra Onda Conteúdo realizaram, em parceria técnica com o Instituto Veredas, a pesquisa Cultura e Clima. O estudo reuniu referências nacionais e internacionais para investigar as conexões entre as agendas culturais e climáticas, evidenciando tanto os impactos da crise climática sobre o setor cultural quanto o potencial da cultura como ferramenta de mobilização, conscientização e transformação social.

A primeira edição do Espalha marcou o início de uma rede nacional de iniciativas que unem cultura, território e justiça climática. Em 2025, a plataforma mapeou 209 iniciativas, alcançou 22 estados brasileiros e mobilizou 5.788 votos na categoria Votação Popular, revelando a diversidade de projetos comprometidos com a transformação social, o cuidado ambiental e o fortalecimento comunitário.

A experiência consolidou uma ampla rede de trocas entre artistas, coletivos, comunidades e organizações, reforçando o papel das manifestações culturais, das práticas comunitárias e dos saberes tradicionais na proteção dos territórios, no fortalecimento dos vínculos sociais e na construção de soluções mais justas diante da emergência climática. “Agora, com a segunda edição do Espalha, queremos ampliar ainda mais essas conexões, fortalecendo redes locais, incentivando a circulação de saberes e reconhecendo iniciativas que fazem da cultura uma aliada no enfrentamento da crise climática”, completa Conte.

Capoeira para todos, São João de Meriti (RJ), 2025. Foto: Divulgação C de Cultura

Prêmio Espalha 2026

  • Inscrições: até 17 de julho de 2026
  • Premiação: R$ 10 mil para cada categoria
  • Regulamento e inscrições espalha.culturaeclima.com.br/
  • Gratuito e online
Instituto Ainbu Daya, Jordão (AC), 2025. Foto: Divulgação C de Cultura

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Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Projetos que unem cultura e clima podem receber R$10 mil”?
Uma biblioteca construída dentro de uma aldeia na floresta amazônica, em Rondônia; uma associação quilombola que fortalece identidade e geração de renda, no Rio Grande do Norte; uma rota de turismo sustentável liderada por mulheres indígenas,…
Como a cultura pode ajudar a enfrentar a crise climática?
A resposta começou a ser construída em 2024, quando o C de Cultura e a Outra Onda Conteúdo realizaram, em parceria técnica com o Instituto Veredas, a pesquisa Cultura e Clima. O estudo reuniu referências nacionais e internacionais para investigar as conexões…
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Gustavo Azevedo

Gustavo Azevedo

Gustavo Azevedo integra a equipe editorial do Estrato ESG, vertical da rede Estrato, na função de Repórter — Estrato ESG. O escopo permanente de cobertura inclui cobertura editorial de Estrato ESG, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

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