CLIMA & AMBIENTE · CONSERVAÇÃO

Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu no interior de SP há milhões de anos

Reconstrução artística da cobra Tametara mirim, que vivia sob o solo no interior do Brasil durante o período Cretáceo, há…

Reconstrução artística da cobra Tametara mirim, que vivia sob o solo no interior do Brasil durante o período Cretáceo, há dezenas de milhões de anos. Gabriel Ugueto Uma nova espécie de cobra que viveu onde hoje é o interior de São Paulo entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás pode ajudar os cientistas a entender melhor o início da evolução desses animais. Batizada de Tametara mirim, ela tinha adaptações para viver debaixo da terra e foi descrita a partir de um fóssil que preservou parte do crânio e mais de uma centena de vértebras desse réptil primitivo (veja representação artística ACIMA). O estudo sobre o achado foi publicado nesta quarta-feira (22) na revista científica “Nature”. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A descoberta traz novas pistas para uma das principais questões sobre a origem desses bichos: em que tipo de ambiente viviam os primeiros representantes do grupo. ➡️ Por muito tempo, cientistas discutiam se o corpo longo e sem membros das cobras teria surgido a partir de ancestrais que viviam no mar ou de ancestrais que cavavam a terra — como se fosse necessário escolher um único caminho evolutivo. Os novos achados não resolvem esse debate, no entanto, sugerem um cenário mais parecido com um mosaico: diferentes linhagens de cobras primitivas já ocupavam ambientes bem distintos, da superfície ao subsolo, passando também pela água. LEIA TAMBÉM: Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um ‘olho’ visto do espaço; veja IMAGEM ‘O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota’ Cientistas descobrem microplásticos no corpo de girinos da Amazônia Agora no g1 O fóssil chamou também atenção também pelo estado de conservação. Encontrado em 2020 em um sítio paleontológico de Presidente Prudente, no oeste paulista, ele é, segundo os pesquisadores, o primeiro fóssil articulado de cobra conhecido no país. Isso significa que, em vez de apenas ossos isolados, diferentes partes do esqueleto permaneceram conectadas no material, além de terem sido preservadas em três dimensões. Até então, as cobras conhecidas do Cretáceo no país eram identificadas principalmente a partir de ossos isolados, o que limitava as informações disponíveis sobre sua anatomia e seu modo de vida. Esse nível de conservação permitiu aos pesquisadores analisar detalhes pouco conhecidos da anatomia dessas primeiras cobras. Com imagens de microtomografia, técnica semelhante a um raio-X em três dimensões, a equipe examinou por exemplo o interior do crânio sem danificar o fóssil e reconstruiu digitalmente a região ocupada pelo cérebro. 🐍 Essas informações foram comparadas às de outras espécies fósseis e atuais e ajudaram a mostrar que a Tametara mirim pertence a uma linhagem muito antiga e tinha essas adaptações à vida debaixo da terra. A análise revelou ainda que as primeiras cobras já apresentavam uma diversidade maior de formas de vida e de características do cérebro do que se imaginava. Para Tiago Simões, professor da Universidade de Princeton e um dos autores do estudo, o achado tem também um significado especial por ter sido feito a partir de um fóssil brasileiro. “Foi uma experiência e oportunidade única. Já participei de diversas descobertas nesse campo do conhecimento, mas entender a origem das serpentes sempre foi um dos meus grandes objetivos pessoais. E essa descoberta sair de um fóssil encontrado no Brasil é a cereja no topo do bolo”, disse ao g1. Fóssil da cobra Tametara mirim, encontrada no interior de São Paulo e que viveu no Brasil durante o período Cretáceo. Agustin Martinelli Ainda há, porém, um intervalo muito maior a ser preenchido. As cobras provavelmente surgiram no Jurássico, dezenas de milhões de anos antes da Tametara, mas os fósseis conhecidos desse período são muito fragmentados. Por isso, encontrar exemplares mais antigos e bem preservados é uma das prioridades dos pesquisadores. Para contornar isso Simões pretende combinar no futuro as informações obtidas nos fósseis com dados genômicos de cobras e lagartos atuais. A ideia é investigar como surgiram, ao longo da evolução, características marcantes do grupo, como a perda dos membros e as mudanças no sistema sensorial. LEIA TAMBÉM: Por que Amsterdã proibiu qualquer propaganda de carne nas ruas ANTES e DEPOIS: imagem da Nasa mostra geleira na Antártida que recuou 25 km em tempo recorde A erupção vulcânica que produziu o som mais alto registrado na história Nova espécie de “fungo zumbi” é descoberta no Brasil

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra…”?
Reconstrução artística da cobra Tametara mirim, que vivia sob o solo no interior do Brasil durante o período Cretáceo, há dezenas de milhões de anos. Gabriel Ugueto Uma nova espécie de cobra que viveu onde hoje…
Por que Clima & Ambiente importa agora?
O tema impacta decisões e debates cotidianos ligados a Clima & Ambiente. A redação destaca fatos, datas e implicações práticas sem substituir orientação profissional personalizada.
Quem edita o conteúdo do Estrato ESG?
A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato ESG, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://esg.estrato.cc/equipe/.
Quais fontes o Estrato prioriza?
Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
Como solicitar correção de uma matéria?
Envie o pedido pela página de Correções (https://esg.estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://esg.estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
Onde acompanhar a política editorial do Estrato ESG?
Metodologia, ética e transparência estão em https://esg.estrato.cc/metodologia/, https://esg.estrato.cc/etica-editorial/ e https://esg.estrato.cc/politica-editorial/.
Como o Estrato trata temas sensíveis (YMYL)?
Temas que afetam dinheiro, saúde e bem-estar recebem revisão editorial reforçada, disclaimer visível e links para páginas institucionais de metodologia e correções. Portal: https://esg.estrato.cc/
WhatsApp X LinkedIn
Compartilhar: LinkedIn
Diego Freitas

Diego Freitas

Diego Freitas integra a equipe editorial do Estrato ESG, vertical da rede Estrato, na função de Repórter — Estrato ESG. O escopo permanente de cobertura inclui cobertura editorial de Estrato ESG, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

Deixe um comentário