CLIMA & AMBIENTE · CRISE CLIMÁTICA

Ciclone-bomba já se configurou e se afasta pelo oceano, mas ventos ainda podem ser fortes hoje e no sábado; veja previsão

Ciclone causa destruição em quase 120 cidades do RS O ciclone extratropical que provocou temporais e ventos fortes no Sul…

Ciclone causa destruição em quase 120 cidades do RS O ciclone extratropical que provocou temporais e ventos fortes no Sul já se configurou como um ciclone-bomba, segundo a Climatempo. Nesta sexta-feira (7), o sistema está mais distante da costa, sobre o Oceano Atlântico, e a tendência para as próximas horas é de redução gradual dos ventos sobre o continente. Uma nova frente fria, porém, já começa a se organizar e deve trazer mais chuva para áreas do Sul e do Sudeste durante o fim de semana. “Ainda é preciso consolidar as informações de estações meteorológicas e de satélite, mas esse sistema já pode ser considerado um ciclone-bomba”, diz César Soares, meteorologista da Climatempo. 🌀 ENTENDA: um “ciclone-bomba” acontece quando uma área de baixa pressão se intensifica muito rápido (daí o nome). Isso costuma deixar o tempo mais severo, aumentando o risco de ventos fortes, chuva intensa e de uma mudança brusca de temperatura. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também prevê que, com esse afastamento, a influência do sistema passe a ficar mais concentrada nos ventos sobre a faixa litorânea da região Sul. Contudo, mesmo com a tendência de enfraquecimento da ventania, as rajadas ainda podem ser fortes no sábado (8). A previsão indica ventos entre 50 e 70 km/h em áreas do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Em pontos do Paraná e de Santa Catarina, as rajadas podem chegar a 90 km/h. Céu nublado na Zona Norte do Rio nesta sexta-feira (07). Reprodução/TV Globo Ainda segundo a Climatempo, a previsão para sábado indica rajadas de cerca de 70 km/h em São Paulo e de até 90 km/h em áreas de Santa Catarina e do Paraná. A principal mudança no tempo ao longo do fim de semana será provocada por uma nova frente fria. O sistema começa a atuar no Sul já no sábado e favorece chuva forte, trovoadas e temporais isolados principalmente no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. No Sudeste, São Paulo será o estado mais afetado pela nova frente fria. O sábado começa com chuva moderada a forte em áreas do centro-sul, leste e nordeste paulista, além do extremo sul de Minas Gerais. Há risco de temporais no sul e no litoral sul de São Paulo, na Baixada Santista e na região de Sorocaba. Em São Paulo (SP), há previsão de chuva durante a madrugada e a manhã, com trovoadas e rajadas fortes. A máxima pode chegar a 28°C. Em Curitiba (PR), a chuva ganha força ao longo do sábado, com máxima de 21°C. No domingo, a capital paranaense pode registrar chuva forte e acumulados elevados, e a máxima cai para 17°C. No domingo (9), a nova frente fria continua atuando sobre o Paraná e avança pela costa de São Paulo. O ar frio também ganha força no Sul, com possibilidade de geada em áreas do Rio Grande do Sul e temperaturas próximas de 0°C em alguns pontos. Em Porto Alegre (RS), a máxima deve ficar em torno de 16°C. Já em boa parte do Centro-Oeste, do interior do Nordeste e de áreas do Norte, o tempo segue mais seco e quente. Em alguns pontos, a umidade relativa do ar pode cair para 20% a 30% durante a tarde. No litoral do Nordeste e em partes da Região Norte, ainda há previsão de pancadas de chuva. Onde esperar os fortes ventos no sábado. Arte/g1 O que é um ciclone-bomba? Na meteorologia, esse processo é chamado de ciclogênese explosiva. De um lado, há ar frio. Do outro, ar mais quente e úmido. ➡️ Essa diferença de temperatura ajuda a organizar o sistema e favorece a formação da área de baixa pressão. Com isso, quanto mais a pressão cai no centro do ciclone, maior tende a ser a diferença em relação às áreas ao redor. Ventos costeiros, tornado, ciclone e furacão: entenda as diferenças entre os fenômenos É essa diferença de pressão que acelera o deslocamento do ar e pode deixar os ventos mais fortes. 👉 Em resumo, três fatores ajudam a explicar esse processo: o encontro entre ar frio e ar mais quente; a formação de uma frente fria; a queda rápida da pressão no centro do ciclone. No caso dessa semana, contudo, o centro do ciclone deve permanecer sobre o oceano. O ciclone extratropical que provocou temporais e ventos fortes no Sul já se configurou como um ciclone-bomba, segundo a Climatempo. Nesta sexta-feira (7), o sistema está mais distante da costa, sobre o Oceano Atlântico, e a tendência para as próximas horas é de redução gradual dos ventos sobre o continente. Uma nova frente fria, porém, já começa a se organizar e deve trazer mais chuva para áreas do Sul e do Sudeste durante o fim de semana. Por isso, os impactos em terra estarão ligados principalmente à frente fria, às linhas de tempestade e ao contraste entre o ar frio que avança pelo Sul e o ar quente que ainda predomina no Centro-Sul. ☁️ Veja a previsão do tempo na sua cidade Passagem de ciclone-bomba pelo Sul do Brasil em julho de 2020. Kleber Trabaquini/ Epagri-Ciram/ Goes 16 – NOAA Por que ele pode causar tantos estragos? A rapidez da intensificação é um dos principais fatores de risco de um ciclone-bomba. Como o sistema pode ganhar força em poucas horas, o prazo para que cidades, concessionárias de energia, portos e serviços de emergência se preparem pode ficar menor. 👉 Por esse motivo, os prejuízos não dependem apenas da força do ciclone. Eles resultam da combinação de diferentes fatores como: tempestades ligadas à uma frente fria; grandes volumes de chuva sobre um solo já encharcado; ressaca e avanço do mar em áreas costeiras; queda de temperatura após a passagem do sistema; maior vulnerabilidade de cidades com rede elétrica aérea, árvores sem manejo e construções frágeis. No Brasil, muitas vezes os efeitos mais graves não vêm do centro do ciclone, que costuma ficar sobre o oceano. Eles são provocados pelas tempestades organizadas ao redor do sistema, capazes de gerar rajadas muito fortes, granizo e chuva intensa em terra. ⚠️ Fora isso, a chuva também pode deixar o solo mais instável, aumentar o risco de deslizamentos e facilitar a queda de árvores. No litoral, o vento persistente sobre o mar favorece, por exemplo, ondas maiores, a erosão da faixa de areia e danos em estruturas próximas à praia. Ciclones bomba são comuns? Ciclones extratropicais são fenômenos comuns nas latitudes médias, onde massas de ar frio e quente se encontram com frequência. Apenas uma parte deles, porém, se intensifica rápido o suficiente para receber a classificação de ciclone-bomba. Esses episódios são mais frequentes sobre os oceanos e durante os meses mais frios, quando o contraste de temperatura costuma ser maior. As principais áreas de ocorrência ficam no Atlântico Norte e no Pacífico Norte, especialmente perto da costa leste da América do Norte e do Japão. No Hemisfério Sul, eles também aparecem nas grandes rotas de tempestades que atravessam o Atlântico Sul, o Índico e o Pacífico. Uma dessas áreas fica justamente entre a Argentina, o Uruguai e o oceano ao sul e a sudeste do Brasil. Bruno Todeschini/ Grupo RBS O El Niño influencia? O El Niño não cria sozinho um ciclone bomba nem permite atribuir diretamente um episódio específico ao fenômeno. Ele pode, porém, alterar a circulação dos ventos e a distribuição de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. Na América do Sul, episódios de El Niño costumam favorecer mais chuva no Sul do Brasil e em áreas próximas. Essas mudanças podem modificar o ambiente em que frentes frias e ciclones se desenvolvem, mas a formação de cada sistema depende das condições meteorológicas presentes naquele momento. LEIA TAMBÉM: Rara água-viva fantasma gigante é registrada no fundo do mar da Argentina; veja VÍDEO Fenômeno espetacular: caverna no Brasil só recebe luz por 3 meses e vira cenário de outro planeta Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos COP30 – Como a floresta produz chuva? LEIA TAMBÉM: Cientistas descobrem formação geológica no Triângulo das Bermudas que pode explicar mistérios da região Japoneses processam governo por inação climática e pedem indenização É #FAKE que Amazônia não contribui para equilibrar clima do mundo

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Ciclone-bomba já se configurou e se afasta pelo oceano, mas…”?
Ciclone causa destruição em quase 120 cidades do RS O ciclone extratropical que provocou temporais e ventos fortes no Sul já se configurou como um ciclone-bomba, segundo a Climatempo. Nesta sexta-feira (7), o sistema está mais…
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Carolina Fischer

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