CLIMA & AMBIENTE · CONSERVAÇÃO
Área queimada no Brasil cai 31% em 2025; Cerrado concentra 69% do total
País registrou 12,7 milhões de hectares atingidos pelo fogo, número abaixo da média das últimas quatro décadas. Amazônia teve o menor número da série histórica.

31/08/2019 – Brigadistas do IBAMA tentam controlar pontos de queimadas durante um incêndio em Apui, no Amazonas. Bruno Kelly/Reuters A área queimada no Brasil caiu em 2025 e ficou abaixo da média histórica, segundo a nova edição do Relatório Anual do Fogo, do MapBiomas. Ao todo, 12,7 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo no ano passado, volume 31% inferior à média anual de 18,4 milhões de hectares registrada desde 1985. A redução foi puxada principalmente pela Amazônia. Depois de registrar 15,8 milhões de hectares queimados em 2024, o maior número da série, o bioma teve 3,1 milhões de hectares atingidos em 2025, a menor extensão observada em 41 anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O cenário, porém, foi diferente entre os biomas. O Cerrado continuou como a região mais afetada pelo fogo, com 8,7 milhões de hectares queimados no ano, o equivalente a 69% de toda a área atingida no país. A Caatinga foi o único bioma que terminou 2025 acima de sua própria média histórica, com 505 mil hectares queimados. Já o Pantanal registrou 121 mil hectares e teve a maior redução proporcional em relação à média das últimas quatro décadas. Agora no g1 LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo O levantamento também chama atenção para a repetição dos incêndios nos mesmos locais. Entre 1985 e 2025, 64% de toda a área que já queimou no Brasil foi atingida mais de uma vez. Entre as áreas onde o fogo se repetiu, 52% voltaram a queimar em um intervalo de até quatro anos. A recorrência é especialmente rápida na Amazônia: 31,6% das áreas atingidas mais de uma vez voltaram a pegar fogo em até dois anos. “Na Amazônia, onde a vegetação não é adaptada ao fogo, intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação da floresta e aumentam o risco de novos incêndios, mais intensos e degradantes”, alerta Luiz Felipe Martenexen, pesquisador da equipe MapBiomas Fogo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). “Esse processo pode comprometer progressivamente a regeneração e tornar a floresta cada vez mais vulnerável ao fogo”. Segundo os pesquisadores, intervalos menores entre os incêndios reduzem o tempo disponível para a recuperação da floresta e podem aumentar sua vulnerabilidade a novos episódios de fogo. No Cerrado, 66% de toda a área queimada desde 1985 registrou mais de uma ocorrência no período analisado. Bombeiros combatem incêndio em uma área de Cerrado, no DF. Corpo de Bombeiros do DF/ Divulgação O estudo mostra ainda que 208,4 milhões de hectares, o equivalente a 24% do território brasileiro, foram atingidos pelo fogo ao menos uma vez ao longo dos últimos 41 anos. Amazônia e Cerrado concentram juntos cerca de 86% dessa área acumulada. A maior parte das queimadas ocorreu sobre vegetação nativa: 71,5% do total acumulado desde 1985. A distribuição, no entanto, varia bastante entre os biomas. Na Amazônia e na Mata Atlântica, mais da metade da área queimada está em terrenos modificados pela ação humana, como pastagens. Já no Cerrado, na Caatinga, no Pantanal e no Pampa, o fogo atingiu predominantemente áreas de vegetação nativa. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do ‘cogumelo mágico’ mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol ‘fugiu’ do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa ‘mais brilhante do ano’
Perguntas frequentes
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